Histórias de vida ajudam a contornar situações difíceis

Contar Histórias de Vida tem se mostrado um profícuo caminho para contornar situações difíceis! Ser velho/a tem muitas vantagens, uma delas é a experiência e a sabedoria que pode ser aprofundada e revisitada por meio do processo de compartilhar, valorizar e ressignificar os momentos marcantes reconhecendo as contribuições e aprendizados que eles podem trazer. Para quem acredita que a vida é uma oportunidade de alcançar a verdadeira sabedoria, a velhice ganha sentido.

No início da pandemia um grande desafio se apresentou para a Associação São Joaquim. Como promover convivência e fortalecimento de vínculos frente a necessidade de isolamento social? Acompanhando a tendência de toda a sociedade, iniciamos os encontros virtuais (como uma das ações de enfrentamento da crise de saúde) para não perdermos os ganhos em termos de acolhimento, pertencimento, aprendizados, orientações, ou seja, para continuarmos contribuindo para a melhora da qualidade de vida de mais de 300 pessoas idosas residentes na carente Carapicuíba-SP.

O trabalho da Oficina da Palavra não foi diferente, mudou de formato e enfrentou desafios ligados à dificuldade de acesso à internet e também aquelas ligadas a pouca familiaridade tecnológica por parte das pessoas idosas. Um esforço coletivo vem sendo realizado para incluir cada vez mais pessoas nas atividades virtuais por meio de videoconferência.

A voluntária Eleonora Sampaio Caselato, responsável pela Oficina da Palavra ao lado de Helena Marchiolli, relata que “foi muito bom descobrir como somos capazes de contornar as situações difíceis que a vida nos propõe. Passamos por novas experiências, descobrimos um jeito novo de fazer nossos encontros, o Zoom. Foi muito bom conhecer e aprender a utilizar o celular para conversar com as pessoas, para fotografar os textos que escrevemos, para compartilhar nossas ideias e registrar nossas conversas”.

Em 2021,  com muita esperança, o grupo da Oficina da Palavra está trabalhando bastante com material trazido pelos participantes. São poesias, músicas, textos, histórias que querem compartilhar com os colegas.” Temos dado ênfase ao registro de histórias da vida, que é o que publicamos agora, produção dos meses de janeiro e fevereiro”, conta Eleonora.

Compartilhamos com vocês as lindas histórias de vida escritas pelos participantes da Oficina da Palavra, que elas possam nos inspirar neste momento difícil da jornada, trazendo esperança e motivação para toda a comunidade Associação São Joaquim. Boa leitura, boa viagem!

 

HISTÓRIA DE SEVERINO DA SILVA LINO

Maria Cândido da Silva – uma mulher vitoriosa e guerreira

Vou escrever falando um pouco da minha irmã mais idosa, em dezembro de 2020 ela completou 87 anos.

No ano passado eu fui visitar, ela sempre alegre, gosta de cozinhar e fazer vários serviços. Ela casou jovem, ela e o marido trabalhando na agricultura. Não tinham sítio e começaram trabalhando para outras pessoas, alugando terra. Com muito esforço conseguiram comprar um sítio, mas a casa era simples, de taipa. Esse tipo de casa é feita de barro e palha de coqueiro.

Ela teve 18 filhos, fora os que nasceram mortos. Nunca fez um pré-natal, trabalhava o dia inteiro no roçado. Às vezes sentia dor do parto, não ia para maternidade, porque era distante. Tinha umas mulheres chamadas de parteiras, era quem fazia o parto. Se desse certo, tudo bem. Nessa época morriam muitas mulheres e crianças.

Teve um ano que nasceu uma criança em janeiro e em dezembro do mesmo ano nasceu outra. Hoje tem 16 vivos, 2 morreram de acidente. Os filhos, que são menos, eu conheço pelos nomes. Mas as meninas, eu me atrapalho, troco os nomes. Agora, netos e bisnetos eu não conheço. Faz dois anos que meu cunhado faleceu. Eu também nasci por uma parteira, ela era minha vó.

Conversando sobre a história:

A partir da história contada por Severino, o  grupo fez um levantamento  de quem nasceu em casa. Descobriram que entre os 16 participantes da Oficina da Palavra que têm mais de 60 anos de idade, 15 nasceram em casa e somente 1 nasceu em hospital. Pesquisaram também quantos filhos cada um  teve. São, ao todo, 49 filhos, que têm no máximo 50 anos. Destes, apenas 6 nasceram em casa, os outros 43 nasceram em hospital. Uma história que junta as pessoas!

 

HISTÓRIA DE RAIMUNDO PEREIRA LIMA

Retornando ao passado com Antônio Pereira Lima

Era 8 de setembro de 1948. Nascia no sertão do Estado do Piauí, na cidade de Floriano, um menino de família pobre. O nome dele, Antônio Pereira Lima. Logo se destacou na escola. Por ser de família muito humilde, estudava e trabalhava em roça, junto com sua mãe e os seus irmãos. Mas logo aos quinze anos passou a dar aulas para alunos de primeiro ano de ensino fundamental, e posteriormente para adultos no antigo MOBRAL. Foi daí que ficou conhecido como Mestre Antônio.

Todos se admiravam da sua pouca idade, já dando aula para adultos. É incrível, mas eu nunca tive a oportunidade de estudar na escola em que meu irmão era o professor, mas eu me orgulho em dizer que se hoje sei achar metros cúbicos e quadrados, devo isto ao meu irmão, foi ele que me ensinou, aos treze anos de idade, logo que eu dominei as quatros operações de contas.

Filho de uma agricultora analfabeta, de nome Ananias Maria da Conceição, que fez com que nenhum dos seus seis filhos deixasse de estudar, o agora professor Antônio, seguiu o seu destino. Como morava em uma cidade muito humilde, de nome Itaueiras, não havia faculdade naquele local.

Mas o mestre não desanimou e, somente quando já se aproximava dos sessenta anos de idade, foi que ele teve a sua grande oportunidade, e se formou em letras. O mestre professor, agora era doutor. Dali em diante ele viveu mais treze anos e veio a óbito no dia 23 de dezembro de 2020, aos 73 anos de idade.

Chega ao fim a história de um menino que tem sua memória presente entre todos aqueles que o conheceram e admiram até hoje, como sendo um dos gênios mais inteligentes daquela região. Parabéns, professor Antônio. Que Deus o proteja e acompanhe para sempre. Eu continuarei rezando e orando por ti.

Conversando sobre a história:

Sr. Raimundo… que história linda! Adorei o modo como o senhor a contou … o seu estilo!
Ficou tão pessoal, afetiva, muito emocionante!
E fica sempre tão evidente a força e a beleza deste povo brasileiro!
Helena Marchiolli

 

HISTÓRIA DE JOSEFA JUCINETE VIANA

Vítimas do passado

Minha mãe teve 14 filhos. Nasceu o primeiro, Josival, depois nasceu uma menina chamada Elizabete, que morreu. Depois nasceu um menino de nome José, e também morreu. Daí nasceram Maria, João, Jucinete, Jucineide, Jucinalva, outro José, Josinaldo, Jivaldo e Maria da Anunciação. Depois nasceram duas gêmeas: Maria Salete e Marizete, que são as caçulas.

O Jivaldo e a Maria da Anunciação morreram de sarampo, um tinha quatro anos e o outro três. Naquela época não tinha vacina e se tinha não sabíamos, pois morávamos na roça. Eles tiveram uma recaída e quando chegaram ao médico já era tarde demais. Tomara que essa vacina da covid chegue para todos nós.

 

HISTÓRIA DE LINDALVA LUIZA FERNANDES

Quem vive neste mundo sem sofrer?

A reunião da Oficina da Palavra desta semana me comoveu muito, lembrei da minha mãe. Ela cuidava do meu pai que tinha câncer. Uma noite ela passou mal, mas não resistiu, não tinha nenhum problema de saúde.
Meu pai ficou em cima de uma cama três anos. Minha irmã e meu irmão que cuidavam, eu ia muitas vezes lá, tinha ano que ia duas vezes para ver meus pais. É triste você perder alguém que você ama. As histórias da Maria José e da Rosângela me fizeram lembrar dos meus pais. Meus pais sofreram muito. Meu pai trabalhava na roça. Nós éramos oito, para não faltar nada para os filhos, ele trabalhava até com a perna quebrada. Ele foi muito guerreiro, teve uma vida sofrida. Eu era pequena, lembro que eu tinha seis anos, passando muita necessidade, aí meu pai ia trabalhar com a perna engessada.
Naquele tempo tudo era difícil.

 

HISTÓRIA DE MARIA HELENA ESCUDEIRO

Memórias do meu tio

Lendo a história que o Raimundo escreveu sobre seu irmão e também a da Jucinete, que deram aulas e ainda eram muito jovens, lembrei de um tio meu que também ensinou seus colegas da roça. Nessa época ele era jovem e trabalhava na lavoura em uma fazenda no interior de São Paulo. E lá também trabalhavam muitos rapazes e conversando ele descobriu que a maioria não sabia ler e nem conheciam as horas. Então se ofereceu, se eles quisessem, ele poderia ensiná-los. Todos concordaram. Então combinaram que depois do trabalho eles se reuniriam na casa dele. Começou a dar aulas na pequena sala de sua casa e não tinha energia elétrica. E como já era o entardecer e ficavam até às 9 horas da noite, era na base da lamparina e do lampião.
E o tal fato se espalhou, que já vinham alunos de outra fazenda e a sala já não comportava todos. O fazendeiro ficou sabendo da situação e emprestou um galpão da sua fazenda e assim as aulas prosseguiram. Eles conseguiram aprender a ler, escrever e fazer contas e todos eram muito agradecidos ao meu tio, que apesar de não ter terminado nem o primário, ensinava o pouco que sabia com muito prazer. Mais tarde veio aqui para a capital e arrumou emprego de motorneiro nos bondes, e lá se aposentou. Ele nasceu no dia 24 de junho de 1918 e seu nome era João, já que nasceu no dia de São João.

Nessa foto ele está com o uniforme com que trabalhava, e a criança é minha irmã, ele era padrinho dela!

Outras lembranças do meu tio João.

Como já escrevi anteriormente, logo que chegou a São Paulo conseguiu emprego na CMTC onde se estabilizou financeiramente, com o decorrer do tempo. Ele era uma pessoa muito alegre, sempre tinha uma anedota para contar e fazer todos rirem. Também gostava muito de dançar, diziam que era um pé de valsa. Acho que por ser tão extrovertido e com um olhar mais matreiro, sempre arrumava muitas namoradas. Meu pai dizia: “juízo, João, juízo!”

O tempo foi passando e resolveu que já estava na hora de casar. No passado teve uma namorada, a Guiomar, era apaixonada por ele, mas, percebendo que era muito mulherengo, preferiu terminar o namoro. Até hoje tem uma foto dela, que minha mãe guardava. A Guiomar acabou fazendo amizade com meus pais, que diziam que ela era muito delicada e agradável. Um domingo meu tio apareceu em nossa casa e falou que ia se casar. Então pediu para o meu pai se podia ir ao cartório servir de testemunha. A data já estava marcada. Não teve festa, apenas um almoço para os familiares. A mulher com quem se casou era descendente de família portuguesa, chamava-se Maria, era viúva e não tinha filhos, mas cuidava de uma irmã muito jovem que ela considerava como filha pois os pais haviam falecido. Maria pôs João na linha, nos modos dela. Falava baixinho, mas era dominadora. Nada mais de baile, nada mais de jogar bilhar no bar do Tibério, onde, nos dias de folga se encontrava com os amigos de boteco. Ele também gostava de um trago de cachaça no jantar, só que isso ela não conseguiu tirar, apesar de muitas tentativas. Também limitou o convívio com a família, ele já não podia quase se encontrar com os irmãos, que eram quatro. Ele tinha hora para chegar em casa caso resolvesse visitar um dos irmãos. Minha mãe, às vezes remexendo as fotos guardadas, via a foto da Guiomar, então dizia: “tão bonita essa moça e o João casou-se com a Maria, que a beleza passou longe e é muito
mandona.”

Uma imagem que nunca esqueço, ele fumava cigarro de palha, então picava o fumo com um canivete pequeno e enrolava na palha. Comprava-se o pacotinho com uma determinada quantia e na medida certa para fazer o cigarro. Ele também tinha um relógio de bolso e me ensinou a ver as horas. Morreu primeiro que a esposa.

Confesso que fiquei muito emocionada de escrever esses fatos e não pude conter as lágrimas!

A foto é do ano de 1.945

Helena Maria Santos Escudero

Conversando sobre a história:

Parabéns Helena, pela escrita tão caprichada, nos contando esta história de sua família. Como é prazeroso mexer no nosso baú de memórias! Tantas coisas já vivemos… Quem sabe a Maria fosse a esposa que ele realmente precisava, para lhe dar um norte na vida. O importante foi ele ter vivido bem! Helena Marchiolli

Com certeza deve ser isso mesmo. Obrigada, Helena, sempre nos incentivando. Helena Escudero

 

HISTÓRIA DE MARIA NEUSA SOUZA SANTOS

Felicidade e gratidão

Hoje é um dia feliz para mim. Consegui fazer os quadradinhos e fui fazendo, até que tinha bastante. Então, comecei a emendar um a um. Mais fácil para mim é fazer um cobertor, mas em vez de cobertor saiu um vestido. E agora? Pensei e deixei para lá. No outro dia minha irmã Izilda ligou mandando a foto da Elisa, que tinha nascido, filha da minha sobrinha Kelly. Uma menina, linda flor, parecia que tinha uns dois meses. Então eu dobrei o cobertor e fiz um saco para pôr a Elisa, fiz correntinha, fechei ele todo. Ficou parecendo um vestido, eu fiquei encantada. Não pensei que de um cobertor saiu um saco para minha flor Elisa.

Esta é a Elisa.
Nasceu dia sete, domingo.
Minha flor.

Conversando sobre a história:

Neusa, parabéns! Ela é linda, forte, uma belezinha. Deus abençoe ela e todos vocês.
Helena Escudero

Neusa, sua sobrinha é linda. Deus abençoe esta família maravilhosa. Deus proteja a todos. Lindalva Luiza Fernandes

Neusa, meus parabéns. Sua sobrinha é linda. Deus ABENÇOE, ilumine sempre, você e a mamãe
dela. Roselene Santiago

Que fofa, Deus as abençoe. Josefa Jucinete Viana

Quero muito agradecer à Associação São Joaquim por fazer parte dela, das flores do tricô e crochê, junto com a professora Eleonora e todas que fazem parte do tricô. Minha flor Almira, nesta pandemia, vinha na minha casa com aquele sol quente, de máscara. Tomava uma água e dizia: agora vamos brincar. Com toda paciência ela me ensinava. Demorei, mas aprendi. Estou feliz porque fiz uma manta para mim e o saco que eu fiz para a Elisa.
A todas da São Joaquim vai a minha gratidão, a paciência e esperança por tudo de bom que eu recebi.
Maria Neuza Souza Santos

Como a palavra GRATIDÃO é tão constante no seu vocabulário!

Fiquei pensando como é importante a gente se sentir parte de uma família, um grupo, uma comunidade! Como é maravilhoso nos sentirmos acolhidos!
E a São Joaquim nos proporciona isto, não é?  Helena Marchiolli

 

HISTÓRIA DE RAIMUNDO PEREIRA LIMA

Revivendo meu passado

Na reunião da Oficina da Palavra foi contada uma história de um certo homem de nome Caim, e de sua prosperidade. Pois eu também tenho uma história muito semelhante. Então, antes de desenhar o paletó do Caim, vou contar o que me aconteceu. Era por volta da década de setenta. Havia chegado em São Paulo, morava afastado do centro da cidade e naquele tempo somente nos bancos era possível sacar dinheiro, e as casas lotéricas somente registravam jogos. Foi aí que tive uma ideia: “vou guardar uma nota de maior valor, para quando acabar o meu dinheiro eu não ter que ir às pressas no cento da cidade de Osasco”. Então, coloquei dentro de um livro que costumava ler nas horas vagas, mas já cansado de ler guardei-o dentro de uma bolsa e esqueci lá. Por sorte a inflação daquela época não era tão alta. Isto aconteceu no início do ano, quando chegou em dezembro que todos querem tentar a sorte pela a última vez no ano, eu pensei: “vou pegar o meu livrinho e tentar a sorte mais uma vez.” A minha surpresa foi ver aquela nota novinha no meu do livro. Fiquei pensando assim: “quantas vezes eu já necessitei desse dinheiro e ele aqui perdendo o seu valor! E o homem que representava a nota era o Barão do Rio Branco, ele também vestia um paletó e tinha um bigode que chegava à forma escanteio, próximo à orelha. Já sobre o valor da nota eu não sei se ainda me lembro, imagino que era dez mil cruzeiros. E aqui se encerra mais uma história entre o homem e o poder financeiro.

Quero esclarecer mais alguns detalhes. Eu tenho orgulho daquela situação, em que vivia, embora sofresse muito, com a escassez. Confesso a todos, que se eu não tivesse, aquele tipo de educação em que eu fui criado, jamais eu seria o homem que sou hoje e nem teria dado o nível de educação que dei aos meus filhos. Não defendo nenhum tipo de trabalho que explore criança, defendo que toda criança deveria passar por algum treinamento de trabalho antes de se tornarem adultos. Assim como aconteceu comigo e com o meu irmão, e isto só me fez
muito bem.

Conversando sobre a história:

– Olha só o que eu achei, Raimundo!
Eleonora Sampaio Caselato

Oi, Dona. Eleonora, obrigado, não me lembrava mais o valor da nota e eu queria tanto contar essa história muito semelhante a história do Caim, não me contive. Veja só, como é emocionante relembrar o nosso passado. E nem me lembrei de recorrer ao Google, agora. eu vou começar a pesquisar essa ferramenta, com mais frequência.
Raimundo Pereira Lima

 

HISTÓRIA DE SEVERINO LINO DA SILVA

Manoel Lino da Silva – Vencedor

Hoje eu vou escrever falando um pouco do meu irmão, ele nasceu com paralisia infantil. Ele era como uma criança normal, mas não andava, ele aprendeu a profissão de marceneiro, ele construía banco, mesa, várias coisas com madeira. Ele fez dois tamancos de madeira para apoiar as mãos e andava se arrastando, sempre feliz. Fazia farinha de mandioca, mexendo a massa. Ele fez um tamborete para dar altura porque o forro era alto. Mas com o tempo ele foi adoecendo, ficando entrevado, e faleceu, mas todos da nossa família tínhamos orgulho dele porque ele não reclamava, ele era feliz. Hoje só resta lembrança.

Conversando sobre a história:

Helena Marchiolli:
Boa tarde sr. Severino! Lendo seu texto fiquei pensando na importância enorme da vacinação! Seu irmão teve paralisia infantil? É uma doença para a qual há vacina há um tempo e isto poderia ter feito a vida dele diferente! Mas que bom que ele conseguiu viver bem, dentro das suas possibilidades, achou o que fazer e tocou a vida…

Severino:
Boa tarde, Helena! Naquela época, no interior, tudo era difícil, não se falava em vacina. Ele aprendeu essa profissão sozinho, o meu pai comprava madeira e ferramenta, ele ia olhando e fazia. Mas ele era normal, casou, só não teve filho. Era o meu irmão mais velho.

Helena Marchiolli:
O senhor poderia enriquecer a história dele com estas informações, do seu pai participando,  e outras mais, que deve ter várias…

Carapicuiba, 25 de janeiro de 2021.

Nesta semana, na Oficina da Palavra vou falar mais um pouco do meu irmão deficiente. Eu consegui uma foto dele, pena que não consegui a foto com ele sozinho, mas esta que eu vou mandar é interessante, porque foi do dia do casamento dele.

Continuando a história, ele viajava para a cidade com ajuda de alguém. Quando era perto, ele fez uma charrete, que era puxada por uma jumenta, eu saia com ele dominando a jumenta. Eu vou contar um caso que aconteceu com ele. Eu tinha uma irmã que morava a três quilômetros de distância, neste dia eu fui sentado na charrete atrás, ele ia dominando a jumenta, mas de repente aparece um jumento. Eu não percebi, a jumenta começou a ir atrás
do jumento. Eu não consegui parar a jumenta porque eu estava de costas, meu irmão começou a gritar. Um senhor conseguiu parar. Se ele caísse, a charrete passava por cima dele. Desse dia em diante só eu dominava a jumenta. Esta é uma história que nunca esqueço, do meu irmão. Severino da Silva Lino

Oi Sr. Severino! Que bacana o senhor continuar contando a história do seu irmão! Deve dar para fazer a biografia dele, conversando com seus familiares, juntando outras histórias. Deve haver várias delas… Fiquei pensando se no final deste dia, do disparo da jumenta, se vocês riram juntos, ou se foi
muito assustador! Helena Marchiolli

 

HISTÓRIA DE ZULMIRA ANA DA CONCEIÇÃO

Uma História de Trancoso*

Eu vou contar uma história de um homem muito valente, daqueles nordestinos ignorantes, só andava armado com uma faca ou facão e a molecada apelidou ele de Garapa. Ele ficava muito bravo com esse apelido e corria atrás de todo mundo com essa faca e o pessoal tinha medo dele. Mas se não chamasse ele de Garapa, ele era uma pessoa boa. Um dia chamaram ele para um jogo, lá ele passou mal e os amigos gritaram:
– Traga um pouco d’água.
Quando ele ouviu pedindo água, ele já abriu o olho.
O outro amigo já gritou:
– Traga também um pouco de açúcar.
Ele já se levantou, pegou a faca e disse:
– Mistura para você ver o que vai dar.

*História de Trancoso – Era costume, antigamente, chamar de “História de Trancoso”; todo
relato ou narrativa duvidosa, a popular mentira. A referência a essa expressão se derivou da História de Trancoso, escrita por um autor português, uma narrativa fantasiosa.

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